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Pronto, fui-me embora. Esgotei os meus recursos. Já não é o meu cérebro que pensa, nem as minhas pernas que andam. Por enquanto, sou apenas uma marioneta nas mãos do vento.
(esta história merece um ponto final.)

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Ponto final. Parágrafo. Travessão.
Agora sou eu. Vou escrever os diálogos da minha personagem, dar-lhe uma história.


"A Vida é um Palco"

Vou representar a minha peça, dar-lhe um rumo, vou-me permitir a excessos e a guloseimas. Vai haver trajédia e comédia, uma evolução. A minha história pode nem ter introdução, mas decerto terá uma boa conclusão. Deixem-me também dar-lhe um bom conteúdo.
Vou escrever com as minhas mãos, por vezes com os lápis dos outros, apagar e voltar a escrever. Uma história que dê vontade de rir e chorar. Vou escrever no verso de folhas já escritas com palavras que é preferível ignorar, ou até talvez esquecer. Vou passar à frente os erros e improvisar nos espaços que deixei em branco. Vou deixar metade da folha em branco. Deixar essa metade por escrever, porque a minha história ainda nem sequer chegou à parte séria. Depois de tudo preenchido, logo decido o que quero fazer. Sou eu que decido


(ou, pelo menos uma vez, deixem-me parar de fingir que acredito no destino)

assobiar

Dizem por aí que ele era um homem feliz, sempre alegre, sempre a assobiar. Já não me lembro. Da minha memória já só faz parte aquele homem perdido, sem expressão.


Não sabia onde estava, não sabia quem eram aquelas pessoas que o rodeavam, não sabia quem era. Mas assobiava. Assobiava a melodia da ignorância, da ingenuidade. Fazia transparecer um sentimento de confusão, de quem anda perdido, de quem já não sabe nada. Tudo aquilo que os anos lhe tinham ensinado e a rugas tinham testemunhado parecido perdido, tal como uma agulha no palheiro - as esperanças de a voltar a encontrar eram nulas. As memórias levou-as o vento, quando S. Pedro decidiu deixar aquele homem sem nada. Porque, afinal, tudo o que ele tinha tido um dia eram memórias, recordações, uma vida.
E ele continuava a assobiar, alienado da realidade, no seu próprio mundo, onde não cabia mais nada para além do seu corpo, da sua mulher, que nunca desistiu, e do seu lar, que muitas vezes era difícil reconhecer. Tudo o resto era desconhecido, não fazia parte. E continuava a assobiar

"I'm asking you to believe"

Juro que me casava com ele
Barack Obama

run away

Lembram-se disto? De eu me ter cansado de correr?

Já mudei. Decidi correr pelos meus objectivos, cansada ou não, sem parar. Não ficar à espera que eles se concretizem sozinhos, correr até eles. Esforçar-me, viver mais até ao limite, não desistir assim que me deparo com a primeira barreira. Quando me gritarem a partida, não vou perder tempo, vou agir, vou correr sem pensar.
Vou correr até eles, como se não houvesse ninguém ao meu lado. Vou correr, encontrar alguém que me possa acompanhar e continuar a correr, sempre



(Ando a aprender a agrarrar as oportunidades)

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