hope there's someone



À minha volta a chuva miudinha caía no chão, suavemente, quase sem vontade, numa melancolia característica de um dia cinzento. Imóvel, eu continuava ali, à beira da estrada, porque a chuva não me afectava. O meu cabelo não escorria, as minhas mãos não estavam húmidas. Eu esperava por ti, a pensar em tudo o que ainda nos restava. A esperança de que chegasses protegia-me, como se os teus braços estivessem novamente à minha volta.

Mas chegaste e a chuva voltou a atacar-me – o teu regresso não trouxe o que eu queria. Foste mudo, surdo, cego. Chegaste? (Nunca notei.) Mais valia nem teres saído de casa.

pity and fear


Eu arrasto-te pelo chão, escondida, e fecho os olhos. No meio da multidão, de milhentas pessoas e os seus problemas, esqueço-te e arrasto-te atrás de mim. Não olho para trás, nunca, para não ter de te encarar e tu continuas mergulhada nesse mar que é só teu, porque eu virei-te as costas e preferi não saber mais nada. É uma guerra fria e eu carrego o meu peso e o teu, sem ter sequer coragem para o mandar borda fora. Porque eu arrasto-te comigo e, se me afundar, tu afundaste também.
No fim, a verdade é o único obstáculo entre nós e eu continuo a arrastá-la pelo chão, sem que ninguém repare.

you don't know me


Wave goodbye, wish me well, you've gotta let me go
(The Killers - Human)

one night stand


Tu olhas para mim, observas-me e não me percebes. Pensas que sou aquilo que vês, interpretas todas as minhas reacções e julgas conhecer-me. Mas eu não me limito a ser quem tu achas, não me limito a ser quem tu vês. Eu só quero ser ilimitadamente humana. Sou muitas pessoas, muitas personalidades, mas, no fim, sou só eu.
E tu continuas sem me perceber.

mr. brightside


tenho mais alguma alternativa?

everchanging

Quero-te escrever outra vez.
Quero-te escrever outra vez, mas custa, porque não sei onde tu andas, nem onde eu me encontro. Já não há ponto da situação a rever, estratégia para pensar, momento para reflectir - há um texto a escrever, e eu tenho a certeza de que é para ti. É para ti, mas não sei porquê. Aqui a novata sou eu e talvez ainda não tenha encontrado as razões certas, mas nunca é tarde demais. Esperámos tanto tempo para dar um passo, tão simples, tão complexo, que agora podíamos correr a maratona. E eu já me cansei de reticências, blábláblás, de previsões e tudo mais, eu agora quero-te escrever, é isso.



Eu quero-te escrever e já sei porquê

impulse

this is the sound of settling



Desculpa-me se fui indelicada, não era a minha intenção. Não quero que penses que eu não quero nada - porque eu quero tudo. Também te quero a ti. Eu quero-te, posso? Diz-me, se fazes o favor.

Desculpa-me se a minha falta de espontaneidade te afugentou e, no final de contas, a mensagem que eu te passei não foi a mais certa. Lê os meus lábios, segue os meus olhos. Vais ver, não precisas de mais nada e eu prometo que não te vais arrepender. Não precisas de fingir que não te importas, que não é contigo. Não precisas de inventar mais desculpas nem de criar mais falsas situações. Já te percebi

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