#45 ou roubar palavras às 8 da manhã num domingo

Não sabes o que perdeste. Nem eu.
E se fosse ao contrário? Sim, se trocássemos, se fosse eu quem se impacientasse com o teu modo de ver o mundo, se fosse eu quem não entendesse os teus silêncios, se fosse eu quem desdenhasse os teus livros, se fosse eu quem mudasse de estação para que não escutasses a tua música?
Ainda aí estarias?

#44

«We are all broken,
that's how the light gets in.»

- Ernest Hemingway

#43

deixei bem claro que sou fraca. letras grandes e gordas, sem réstia de dúvida: fiquei nua e despida até à camada de pele mais asquerosa e sensível que todos os dias transporto. já não dá para fingir ou dissimular, para fingir que os outros não percebem: aqui me tens, Sofia, a fraca, como sempre-hoje fui.

mas não penses que sabes tudo.
sou fraca agora porque percebi. foi do estilo eureka, sabes? sempre soube, mas nunca tinha sentido - e sentir faz toda a diferença. sentires que sabes pode fazer-te sentir poderoso, mas invariavelmente obriga-te a cair, saltas do precipício e deixas tudo para trás, esqueleto e armadura incluídos. fiquei eu, fraca, porque olhei para ti, para a tua família, para a tua nova vida e percebi. senti: somos iguais, mas agora já sei o que não posso fazer, faço um esforço diário para aprender com o teu erro. esse grande erro que cresce com o tempo, que se torna incorrigível, que agora percebo. era inevitável. sou igual a ti e também não aguentaria.

mas não sou pessoa para deitar
areia para os olhos.

#42 ou sabedoria de sertanejo

traição é traição,
romance é romance,
amor é amor
         e um lance é um lance

#41

Coisas que eu aprendi sozinho

Que a melhor maneira de curvar no esqui é colocar todo o peso no dedo grande do pé, que as más raparigas não vão para todo o lado coisa nenhuma, que o problema é o terceiro gin, que hay que tener mano izquierda, que nunca se deve ser assertivo quando elas nos perguntam se o vestido lhes assenta bem, que sin prisa pero sin pausa, que os melhores vinhos são sempre os mais caros, que o essencial é exactamente o que é visível para os olhos, que não é necessária toda a pasta dentífrica que os anúncios colocam em cima da escova, que não há segunda oportunidade de causar uma primeira boa impressão.

isto.

#40

como é que se sabe se uma conversa foi estranha
ou se somos só nós que não sabemos conversar?

#39

sei que não vais ter o aniversário que eu tive. já não estamos em 2010, tu não és eu, já não há razões para fingirmos nem crianças para iludir - e eu nunca vou deixar que tu tenhas o dia que eu tive. o que me calhou na berlinda, que o calendário desenhou só para mim, que os outros foderam para o fazer assim.

não vais ter o aniversário que eu tive.
e não vais receber o meu texto como presente, porque continuas a ser o meu bebé, e o meu bebé merece ser protegido. merece ter o dia que ainda ninguém teve, não saber o que toda a gente sabe. merece que eu o leve ao colo por aí, mesmo quando sai às tantas, regressa de madrugada e já tem histórias de adulto para contar.
[amanhã]

#38

é tipo a canção da alanis morissette. cachorro perigoso, safado, carinhoso - mas cão que ladra não morde.
cabra invejosa, mas demasiado tímida para sair do curral. pernas para que te quero, mas sofá para que te amo.
vamos correr o mundo, mas sabem-me tão bem as saias da minha mãe.

chiça. saber o que se quer, e não querer saber.

#37


#maismenos
#aindaháprojectosgeniais #graçasadeus

#36

tudo o que não podes dizer, tudo o que não fica bem fazer, todas as músicas que não prestam para dançar. não podes conversar, não podes ficar, é a tua primeira cerveja? não me importa, podemos ficar aqui para sempre - outra vez.
mas
todas as ruas que te sufocam, os metros que perdes, as reuniões com atrasos de meia hora, os almoços insonsos e os jantares fora de prazo, o café frio, a máquina que não dá troco, o sinal de proibido no final da rua, és obrigado a virar à esquerda, cuidado, não ultrapasses os 120, não respires, não te exaltes, não nada.

#35

«it's like drowning, but you just won't fucking die.»
- urban dictionary definition for unrequited love

#34

tudo é temporário.
repeat repeat repeat

#33

“Did you know that for pretty much the entire history of the human species, the average life span was less than thirty years?
You could count on ten years or so of real adulthood, right?
There was no planning for retirement, There was no planning for a career. There was no planning. No time for plannning. No time for a future.

But then the life spans started getting longer, and people started having more and more future. And now life has become the future.
Every moment of your life is lived for the future--you go to high school
so you can go to college
so you can get a good job so you can get a nice house
so you can afford to send your kids to college
so they can get a good job
so they can get a nice house
so they can afford to send their kids to college.” 

― John GreenPaper Towns

#32

































era isto.
- nunca ninguém disse que não se pode ter um blog polivalente.

#29

caminha, continua, é sempre em frente, são dois dedos de conversa, são filmes rodados em palavras tão bebidas.
nas ruas, nos estranhos: aquilo que mais precisas.
e não pediste. pensaste nisso, matutaste demasiado, cortaste-te bateste-te esmagaste-te com isso, mas foi sempre em silêncio - porque, afinal, o que é mesmo verdade não precisa de ser dito, não precisa de ser deliberadamente, obviamente, publica e claramente desesperado, basta-lhe existir, estar lá, respirar dentro de ti, ofegante, como se fosse a tua última hipótese de pôr esses pulmões a funcionar.
foi cirúrgico, na verdade. mas não podia ter sido mais simples.

#28

é tão fácil de perceber,

#27

esta meia dúzia [mal contada] de leitores deixa-me nua. e eu tenho frio.

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